{"id":3130,"date":"2024-01-19T09:25:00","date_gmt":"2024-01-19T09:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/?p=3130"},"modified":"2024-07-16T09:29:50","modified_gmt":"2024-07-16T09:29:50","slug":"como-entender-a-morte-e-o-estado-intermediario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/como-entender-a-morte-e-o-estado-intermediario\/","title":{"rendered":"Como Entender a Morte e o Estado Intermedi\u00e1rio?"},"content":{"rendered":"\n<p>A B\u00edblia confirma a exist\u00eancia do purgat\u00f3rio? E quanto \u00e0 teoria do \u201csono da alma\u201d? O que acontece quando n\u00f3s morremos? Este artigo traz uma apresenta\u00e7\u00e3o b\u00edblica do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tiv\u00e9ssemos de escolher entre um convite para uma festa ou para um funeral, a maioria certamente correria para optar pela festa. Afinal, esta oferece alguma esperan\u00e7a de divers\u00e3o e alegria, enquanto um servi\u00e7o f\u00fanebre oferece apenas l\u00e1grimas, peso e desconforto mental e emocional. Ainda assim, o conselho do s\u00e1bio rei Salom\u00e3o era que seria melhor ir a um vel\u00f3rio (\u201cuma casa onde h\u00e1 luto\u201d) do que a uma celebra\u00e7\u00e3o (\u201cuma casa em festa\u201d). Ele justifica isso explicando que festas tendem a promover uma perspectiva de vida vazia e in\u00fatil, enquanto um funeral nos leva a encarar a realidade (Eclesiastes 7.2-6).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que justamente esse ponto (encarar a realidade) leva muitos a se afastarem da sabedoria de Salom\u00e3o. Certamente a morte n\u00e3o \u00e9 tema dos mais agrad\u00e1veis, e as pessoas preferem n\u00e3o pensar nela por causa do medo e do desconforto que ela intimamente nos causa. A verdade b\u00edblica de que \u201co homem est\u00e1 destinado a morrer uma s\u00f3 vez e depois disso enfrentar o ju\u00edzo\u201d (Hebreus 9.27) refor\u00e7a nitidamente o que a humanidade parece perceber intuitivamente \u2013 que h\u00e1 vida ap\u00f3s a morte, e ela pode n\u00e3o ser agrad\u00e1vel. J\u00e1 que nenhum de n\u00f3s passou pelo vale da sombra da morte, h\u00e1 certo mau pressentimento a respeito de tudo isso. Em geral, prefere-se evitar o pensamento a respeito da inevitabilidade e da proximidade da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o \u00e9 nem um pouco surpreendente o fato de haver tanta disposi\u00e7\u00e3o em ouvir ideias e filosofias que falem de tranquilidade e paz ap\u00f3s a morte. Muitos tentam acalmar o medo e a ansiedade das pessoas asseverando que n\u00e3o h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o eterna esperando por elas. Isso pode se manifestar na forma de algum programa de televis\u00e3o com testemunhos de pessoas que alegam ter tido experi\u00eancias maravilhosas e aconchegantes de quase morte ou que promova ensinos como o da reencarna\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo dentro da igreja h\u00e1 quem tente convencer outros a n\u00e3o se preocupar demais com a morte, j\u00e1 que Deus \u00e9 um Deus de amor; por causa disso, no fim todo mundo ser\u00e1 salvo, e ningu\u00e9m vai realmente sofrer tormentos para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Com certeza, \u00e9 um grande eufemismo afirmar que a morte, o estado intermedi\u00e1rio e a eternidade n\u00e3o s\u00e3o assuntos secund\u00e1rios. Na verdade, de todas as \u00e1reas da escatologia, nenhuma importa tanto quanto essa. Assim,&nbsp;queremos nos voltar para a Palavra de Deus para encontrar respostas conclusivas e definitivas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A vis\u00e3o b\u00edblica da morte<\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda que a morte seja real e inevit\u00e1vel, ela n\u00e3o \u00e9 algo natural. Quando Deus criou os c\u00e9us e a terra, a morte n\u00e3o era parte disso. \u00c9 por isso que, no fim, ela ser\u00e1 derrotada para sempre (1Cor\u00edntios 15.26) e banida da nova cria\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cEnt\u00e3o a morte e o Hades foram lan\u00e7ados no lago de fogo\u201d (Apocalipse 20.14a). As Escrituras falam de tr\u00eas tipos de morte: a morte espiritual, que \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o entre o ser criado e seu Criador (p. ex., Ef\u00e9sios 2.1); a morte eterna, isto \u00e9, a separa\u00e7\u00e3o final e permanente da pessoa n\u00e3o salva de Deus (p. ex., Apocalipse 20.14); e a morte f\u00edsica, na qual a parte imaterial do ser humano se separa de seu corpo material (p. ex., G\u00eanesis 35.18-19).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando algu\u00e9m morre fisicamente, essa pessoa n\u00e3o deixa de existir; antes, corpo e alma s\u00e3o separados um do outro.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A morte f\u00edsica \u00e9 o encerramento da vida f\u00edsica por meio da separa\u00e7\u00e3o do corpo e da alma. Ela nunca \u00e9 aniquila\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Morte n\u00e3o \u00e9 cessa\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, mas uma ruptura nas rela\u00e7\u00f5es naturais da vida. Vida e morte n\u00e3o se op\u00f5em uma \u00e0 outra, na qualidade de exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia, mas s\u00e3o opostos apenas no sentido de serem diferentes modos de exist\u00eancia.[1]<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando Est\u00eav\u00e3o estava sendo apedrejado, ele olhou para o c\u00e9u e pediu em ora\u00e7\u00e3o que o Senhor recebesse seu esp\u00edrito (Atos 7.59). Quando Raquel morreu durante o parto, isso \u00e9 descrito como sua vida partindo (G\u00eanesis 35.18). Tiago ensina que na morte f\u00edsica o corpo se separa do esp\u00edrito (Tiago 2.26). Nas Escrituras, a vida n\u00e3o \u00e9 entendida apenas como exist\u00eancia, mas como bem-estar. Morte, portanto, \u00e9 perda do bem-estar, n\u00e3o cessa\u00e7\u00e3o do ser.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"display:flex;margin:20px 0;border:1px solid #ddd;align-items: center;\">\n    <div style=\"width:50%;padding:20px;border-right:1px solid #ddd\">\n        <a href=\"https:\/\/loja.chamada.com.br\/livros\/manual-de-escatologia-chamada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/foto-mec-3d.jpg\" alt=\"\" style=\"max-height:200px;display:block;margin:auto\"><\/a>\n    <\/div>\n    <div style=\"width:50%;padding:20px;\">\n        <h3 style=\"font-size:24px;margin:0\"><a href=\"https:\/\/loja.chamada.com.br\/livros\/manual-de-escatologia-chamada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manual de Escatologia Chamada<a\/><\/h3>\n        <p style=\"font-size:16px;margin: 0 0 10px 0;\"><a href=\"https:\/\/loja.chamada.com.br\/livros\/manual-de-escatologia-chamada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por Paul N. Benware<\/a><\/p>\n        <p>Um guia para entender as profecias do fim dos tempos.<\/p>\n    <\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O estado intermedi\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A morte e o crente<\/h3>\n\n\n\n<p>Depois de sua morte e antes de sua ressurrei\u00e7\u00e3o, o crist\u00e3o permanece em um estado intermedi\u00e1rio. As Escrituras n\u00e3o cont\u00eam muitas informa\u00e7\u00f5es sobre essa condi\u00e7\u00e3o. O motivo \u00e9 que a esperan\u00e7a do crente \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o, quando tudo ser\u00e1 consumado, n\u00e3o o estado intermedi\u00e1rio (entre a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o). No entanto, os escritores b\u00edblicos ofereceram algumas certezas importantes a respeito do que acontece ao crist\u00e3o na morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, os crentes recebem a garantia de que nada, nem mesmo a morte, \u00e9 capaz de separ\u00e1-los de seu Senhor Jesus Cristo (Romanos 8.38-39). Isso confirma que eles n\u00e3o ser\u00e3o abandonados nem por um segundo no momento da morte f\u00edsica. Jesus, que prometeu nunca deixar seu povo, n\u00e3o permitir\u00e1 isso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"citacao2\">As Escrituras n\u00e3o cont\u00eam muitas informa\u00e7\u00f5es sobre o estado intermedi\u00e1rio. O motivo \u00e9 que a esperan\u00e7a do crente \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o, quando tudo ser\u00e1 consumado.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, o crist\u00e3o n\u00e3o precisa ter medo de passar pela morte porque o Senhor Jesus, que j\u00e1 passou por ela, est\u00e1 conosco (Salmos 23.4). \u00c9 verdade que a morte \u00e9 vista como um inimigo que ainda tem uma ferroada dolorida, por carregar consigo diversos tipos de perda (1Cor\u00edntios 15.54-57). Mas Jesus venceu a morte e no futuro a destruir\u00e1. \u00c9 interessante observar que os termos usados pelo Novo Testamento para referir-se \u00e0 morte dos crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o amedrontadores (p. ex., \u201cdormirem\u201d, 1Tessalonicenses 4.13-15).<\/p>\n\n\n\n<p>Em terceiro lugar, o crente recebe a promessa de que a morte o levar\u00e1 imediatamente \u00e0 presen\u00e7a de Cristo. Para o crist\u00e3o, h\u00e1 apenas duas op\u00e7\u00f5es: estar em seu corpo f\u00edsico, vivendo na terra, ou sair do corpo material para ir \u00e0 presen\u00e7a de Cristo. N\u00e3o h\u00e1 terceira op\u00e7\u00e3o, como o purgat\u00f3rio ou o \u201csono da alma\u201d. O ap\u00f3stolo Paulo explicou da forma mais clara poss\u00edvel, em 2Cor\u00edntios 5.6-8, que, no momento em que um crist\u00e3o morre e deixa esta esfera da exist\u00eancia, ele entra imediatamente na presen\u00e7a do Senhor Jesus. Em momento algum essa passagem sugere a exist\u00eancia de um estado intermedi\u00e1rio de inconsci\u00eancia ou alguma esp\u00e9cie de purgat\u00f3rio. Paulo diz que, enquanto estiver morando no corpo, ele estar\u00e1 longe de sua casa no Senhor Jesus (verbo no presente); por causa disso, sua comunh\u00e3o \u00e9 incompleta (v. 7). Ele acrescenta que vir\u00e1 um momento (<em>aoristo<\/em>) em que isso mudar\u00e1, e ent\u00e3o ele estar\u00e1 na presen\u00e7a do Senhor e ausente do corpo, uma refer\u00eancia muito clara \u00e0 morte (v. 8). Essa passagem claramente ensina que, no momento da morte, o crente entra em um estado de comunh\u00e3o \u00edntima com o Senhor. \u201cTanto as conjuga\u00e7\u00f5es no infinitivo no vers\u00edculo 8 quanto o paralelismo entre os vers\u00edculos 8 e 6 indicam que estar na presen\u00e7a do Senhor acontece no momento em que algu\u00e9m morre.\u201d[2]<\/p>\n\n\n\n<p>Charles Hodge apoia essa interpreta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m mostra que a presen\u00e7a de Paulo junto ao Senhor n\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O ap\u00f3stolo est\u00e1 falando dos motivos de consolo diante da perspectiva iminente da morte. Em ess\u00eancia, ele diz que a dissolu\u00e7\u00e3o do corpo n\u00e3o destr\u00f3i a alma nem a priva de um lar. Seu consolo \u00e9 que, quando fosse despido, n\u00e3o seria encontrado nu. Enquanto seu lar fosse o corpo, ele estaria longe do Senhor, mas, assim que deixasse o corpo, estaria na presen\u00e7a do Senhor. \u00c9 absolutamente \u00f3bvio que aqui o ap\u00f3stolo est\u00e1 falando do que acontece no momento da morte.[3]<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra passagem que for\u00e7osamente ensina que o crist\u00e3o, ao morrer, vai imediatamente para a presen\u00e7a de Cristo \u00e9 Filipenses 1.21-23. Nessa passagem, Paulo revela seu anseio \u00edntimo de estar com o Senhor Jesus Cristo. Ele tem plena consci\u00eancia de que os crentes se beneficiariam muito de seu minist\u00e9rio na vida deles, e isso o fazia desejar continuar na terra. Mas, a despeito de seu zelo pela salva\u00e7\u00e3o das pessoas e de seu grande desejo de ver os crist\u00e3os edificados em sua f\u00e9, ele anelava em partir e estar com Cristo. Paulo n\u00e3o teria esse anseio se a morte o levasse ao purgat\u00f3rio ou a uma condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o exist\u00eancia (\u201csono da alma\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>A gram\u00e1tica dessa passagem implica o ensino enf\u00e1tico de que, na morte, o crente \u00e9 levado imediatamente \u00e0 presen\u00e7a de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A preposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>eis to<\/em>\u00a0acompanhada do infinitivo mostra \u201creal prop\u00f3sito ou finalidade em vista\u201d \u2013 o forte anseio que causa o dilema de Paulo. Ambos os infinitivos (<em>analusai<\/em>\u00a0e\u00a0<em>einai<\/em>) t\u00eam a mesma constru\u00e7\u00e3o, portanto implicam a mesma ideia, a mesma express\u00e3o gramatical. [&#8230;] Em palavras simples, o \u00fanico anseio de Paulo tem um objetivo duplo: partir e estar com Cristo! Se a partida n\u00e3o representasse um imediato estar\u00a0<em>com<\/em>\u00a0Cristo, ele teria usado outra constru\u00e7\u00e3o de frase. Portanto, parece imposs\u00edvel que o ap\u00f3stolo estivesse pensando em sono da alma, uma vez que ele deseja deixar o corpo e desfrutar espiritualmente da presen\u00e7a do Senhor.[4]<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O uso dos dois infinitivos ligados pela conjun\u00e7\u00e3o aditiva \u201ce\u201d e um artigo definido deixa claro que o ap\u00f3stolo est\u00e1 formando um conjunto com base nessas duas ideias. De acordo com seu racioc\u00ednio, a partida (morte) significa que ele estaria na presen\u00e7a de Cristo. Ele enxerga que h\u00e1 duas possibilidades diante dele e n\u00e3o deixa qualquer espa\u00e7o para uma terceira alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na morte, o crente \u00e9 levado \u00e0 presen\u00e7a de Cristo no c\u00e9u. Como a ascens\u00e3o levou o Senhor Jesus de volta \u00e0 casa do Pai, \u00e9 para l\u00e1 que o crist\u00e3o tamb\u00e9m vai. Precisamos lembrar que, quando Jesus retornar no arrebatamento para reunir sua igreja, os que tiverem morrido antes vir\u00e3o com ele (1Tessalonicenses 4.14). Vemos nisso que crist\u00e3os que morreram antes do arrebatamento (e, portanto, antes da ressurrei\u00e7\u00e3o) est\u00e3o com o Senhor Jesus no c\u00e9u e retornar\u00e3o com ele. Alguns te\u00f3logos sugeriram que, nesse estado intermedi\u00e1rio, os crentes ter\u00e3o alguma esp\u00e9cie de corpo tempor\u00e1rio. Essa ideia baseia-se em parte no fato de que, na transfigura\u00e7\u00e3o de Cristo, Mois\u00e9s apareceu em forma f\u00edsica, embora a ressurrei\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tenha acontecido. Mas, ainda que a ideia do corpo tempor\u00e1rio n\u00e3o seja clara, \u00e9 certo que os crist\u00e3os est\u00e3o com o Senhor.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"citacao2\">O estado intermedi\u00e1rio para o crist\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o maravilhoso quanto o momento em que ele receber\u00e1 seu corpo glorificado e, assim, tiver salva\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na cruz, Jesus prometeu ao ladr\u00e3o que morria ao seu lado que este estaria com ele no para\u00edso naquele mesmo dia (Lucas 23.43). A palavra \u201cpara\u00edso\u201d (um termo que designa \u201cparques\u201d ou \u201cjardins\u201d) \u00e9 usada tr\u00eas vezes no Novo Testamento como refer\u00eancia ao c\u00e9u, onde Cristo est\u00e1 neste momento manifestando sua presen\u00e7a e gl\u00f3ria. Paulo viu algumas das maravilhas do para\u00edso, que eram verdadeiramente magn\u00edficas, quando foi arrebatado para l\u00e1 (2Co 12.2-4). Embora, sem d\u00favida, haja muita coisa que n\u00e3o sabemos nem podemos saber sobre a vida imediatamente ap\u00f3s a morte, ela claramente \u00e9 algo que merece a prefer\u00eancia quando comparada \u00e0 exist\u00eancia atual. Ainda assim, o estado intermedi\u00e1rio para o crist\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o maravilhoso quanto o momento em que ele receber\u00e1 seu corpo glorificado e, assim, tiver salva\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/loja.chamada.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"169\" src=\"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/loja-banner-1024x169-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3787\" srcset=\"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/loja-banner-1024x169-1.jpg 1024w, https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/loja-banner-1024x169-1-300x50.jpg 300w, https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/loja-banner-1024x169-1-768x127.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A morte e o incr\u00e9dulo<\/h3>\n\n\n\n<p>O incr\u00e9dulo tamb\u00e9m conserva uma exist\u00eancia consciente no momento da morte f\u00edsica. Mas seu destino n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel, j\u00e1 que ele recebe puni\u00e7\u00e3o no inferno (Hades). Alguns sistemas religiosos se op\u00f5em \u00e0 ideia de um lugar de puni\u00e7\u00e3o consciente chamado inferno (Sheol e Hades). Destacam que essas palavras se referem ao t\u00famulo ou a uma cova no ch\u00e3o, mas que nunca s\u00e3o equiparados \u00e0 puni\u00e7\u00e3o eterna. Ainda que seja verdade que essas palavras podem designar o t\u00famulo e, de forma geral, o lugar dos mortos, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que elas s\u00e3o usadas como lugares de castigo. \u201cResumidamente, podemos dizer que o Sheol do Antigo Testamento em geral significa t\u00famulo e, \u00e0s vezes, lugar de puni\u00e7\u00e3o, enquanto, no Novo Testamento, Hades e inferno s\u00e3o em geral lugar de puni\u00e7\u00e3o, mas, \u00e0s vezes, o t\u00famulo.\u201d[5]<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias passagens b\u00edblicas revelam que essas palavras s\u00e3o usadas como refer\u00eancia a lugares de julgamento e puni\u00e7\u00e3o para os maus. Salmos 9.17 declara: \u201cVoltem os \u00edmpios ao p\u00f3 [<em>Sheol<\/em>]\u201d. Aqui, o \u201cSheol\u201d \u00e9 o lugar preparado para os perversos, n\u00e3o apenas um t\u00famulo, uma vez que tanto justos quanto \u00edmpios v\u00e3o para o t\u00famulo. Prov\u00e9rbios 23.14 afirma: \u201cCastigue-a [a crian\u00e7a], voc\u00ea mesmo, com a vara, e assim a livrar\u00e1 da sepultura [<em>Sheol<\/em>]\u201d. \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o h\u00e1 disciplina paterna capaz de impedir que a crian\u00e7a v\u00e1 para o t\u00famulo. Lucas 16.23 fala sobre o homem rico que morreu e, \u201cno Hades, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima\u201d. V\u00ea-se claramente aqui a sua puni\u00e7\u00e3o, aplicada imediatamente ap\u00f3s a morte. V\u00e1rias outras passagens mencionam um lugar no estado intermedi\u00e1rio onde os perversos est\u00e3o conscientes e sofrem castigo (p. ex., Mateus 5.22; 11.23; 23.33).<\/p>\n\n\n\n<p>Tecnicamente, \u00e9 verdade que a B\u00edblia n\u00e3o fala do inferno como um lugar de puni\u00e7\u00e3o eterna. O inferno certamente ter\u00e1 fim quando for jogado no lago de fogo, mas o lago de fogo \u00e9 claramente entendido como um lugar de castigo eterno (cf. Apocalipse 20.10,14-15). Quer seja no inferno, quer no lago de fogo, as Escrituras alertam com frequ\u00eancia para os terrores que aguardam aqueles que n\u00e3o querem se arrepender e voltar-se para o Senhor Jesus a fim de obter salva\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A teoria do \u201csono da alma\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p>Alguns grupos (como os Adventistas do S\u00e9timo Dia) defendem a posi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica de que n\u00e3o h\u00e1 exist\u00eancia consciente entre a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o. Esse conceito de n\u00e3o exist\u00eancia no estado intermedi\u00e1rio baseia-se em parte em vers\u00edculos que falam da morte como \u201csono\u201d ou \u201cdormir\u201d. A perspectiva do \u201csono da alma\u201d (ou, mais precisamente, da \u201cextin\u00e7\u00e3o da alma\u201d) fundamenta-se expressamente em uma vis\u00e3o da natureza humana que nega uma exist\u00eancia separada da parte imaterial do ser humano (alma ou esp\u00edrito) no momento da morte. N\u00e3o faz parte do escopo deste cap\u00edtulo tratar da natureza humana, demonstrando que alma e esp\u00edrito podem subsistir \u00e0 parte do corpo. Mas, quando se entende corretamente que uma pessoa tem tanto uma parte material quanto uma imaterial, fica claro que \u201csono\u201d \u00e9 usado de forma figurada:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 claro que todo mundo reconhece que o\u00a0<em>corpo<\/em>\u00a0dorme at\u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, torna-se inconsciente, insens\u00edvel. O sono de que se fala \u00e9 do corpo, n\u00e3o da alma. Quem ensina o sono da alma simplesmente confunde o adormecimento do corpo com o da alma. O ensino do sono da alma n\u00e3o aparece em lugar algum da B\u00edblia. Cada vez que a palavra \u201cdormir\u201d \u00e9 usada em rela\u00e7\u00e3o aos mortos, o contexto deixa claro que ela se aplica apenas ao corpo.[6]<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A natureza desse \u201csono\u201d do corpo \u00e9 que, um dia, ele \u201cacordar\u00e1\u201d na ressurrei\u00e7\u00e3o. Dessa forma, essa figura de linguagem n\u00e3o \u00e9 apenas um eufemismo, mas ilustra uma verdade profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina do sono da alma foi constru\u00edda sobre uma met\u00e1fora, o que n\u00e3o \u00e9 hermeneuticamente apropriado. \u00c9 verdade que o Novo Testamento descreve a morte como sono, mas n\u00e3o \u00e9 correto desenvolver doutrinas de uma figura de linguagem. \u00c9 evidente que estamos lidando com uma palavra que fala de apar\u00eancias, n\u00e3o fatos. Quando olhamos para o corpo de um morto, essa pessoa parece dormir.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomados ao p\u00e9 da letra, alguns trechos b\u00edblicos impactantes destroem o conceito de sono da alma. Dois deles \u2013 2Cor\u00edntios 5.6-8 e Filipenses 1.21-23 \u2013 j\u00e1 foram discutidos. Podemos acrescentar ainda v\u00e1rias outras passagens. Por exemplo, Lucas 16.19-31 relata a hist\u00f3ria do homem rico e L\u00e1zaro. Nessa passagem, Jesus ensina, incisivamente, que, ao morrerem, esses dois homens n\u00e3o foram reduzidos ao n\u00edvel comum da n\u00e3o exist\u00eancia. A hist\u00f3ria n\u00e3o apenas perderia o sentido, mas ficaria muito enganosa. Seja uma par\u00e1bola, seja um caso real, ela ensina que h\u00e1 vida imediatamente ap\u00f3s a morte, que essa vida ap\u00f3s a morte \u00e9 consciente, que nessa vida ap\u00f3s a morte os perdidos e os salvos ficam eternamente separados entre si e que os perdidos se lembrar\u00e3o de alguns fatos de sua vida terrena.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Dessa forma, a exist\u00eancia consciente diferente para o homem rico e para L\u00e1zaro, simbolicamente descrita nessa par\u00e1bola, deve ser um reflexo das condi\u00e7\u00f5es do estado intermedi\u00e1rio. Como tal, a par\u00e1bola confirma o que aprendemos de outras passagens do Novo Testamento, a saber, que, imediatamente ap\u00f3s a morte, os crentes ser\u00e3o levados para junto de Jesus, a fim de provisoriamente desfrutar de alegria em sua presen\u00e7a (provisoriamente porque o corpo deles ainda n\u00e3o foi ressuscitado), enquanto os incr\u00e9dulos ir\u00e3o diretamente para um lugar de puni\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria.[7]<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra passagem significativa \u00e9 Lucas 20.38, onde o Senhor Jesus responde a uma pergunta dos saduceus sobre a vida ap\u00f3s a morte. Os saduceus n\u00e3o apenas rejeitavam a ideia de uma ressurrei\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mas, de acordo com Atos 23.8, negavam a exist\u00eancia da alma ap\u00f3s a morte. Jesus corrigiu ambos os erros ao apontar que Abra\u00e3o, Isaque e Jac\u00f3 n\u00e3o poderiam ter entrado em uma condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o exist\u00eancia; eles existiam quando Deus apareceu a Mois\u00e9s na sar\u00e7a ardente (s\u00e9culos depois da morte f\u00edsica deles), pois o Senhor se identificou como seu Deus. Os tr\u00eas patriarcas estavam bem vivos, embora n\u00e3o vivendo sobre a terra. Por fim, Jesus conclui afirmando que Deus \u00e9 Deus de vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras passagens que apontam para a vida ap\u00f3s a morte incluem a declara\u00e7\u00e3o de Cristo ao ladr\u00e3o na cruz de que este estaria com ele naquele dia no para\u00edso (Lucas 23.43) e tamb\u00e9m quando Jesus, na cruz, entrega (Lucas 23.46) seu esp\u00edrito nas m\u00e3os do Pai (o que n\u00e3o teria qualquer sentido caso Jesus deixasse de existir no momento de sua morte).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz dessas evid\u00eancias substanciais, \u00e9 preciso rejeitar a teoria do sono da alma, pois \u00e9 exeg\u00e9tica e teologicamente defeituosa. Conclui-se, ent\u00e3o, que, na morte, tanto salvos como n\u00e3o salvos experimentam continuidade de sua exist\u00eancia. Morte n\u00e3o \u00e9 o fim do ser; antes, ela separa a alma do corpo. Na morte, o crente, que est\u00e1 \u201cem Cristo\u201d e jamais pode ser separado dele, \u00e9 levado imediatamente \u00e0 sua presen\u00e7a. Mesmo que ainda lhe falte o corpo glorificado, o crente conscientemente desfruta da presen\u00e7a gloriosa de Cristo no para\u00edso. Por outro lado, o incr\u00e9dulo existe conscientemente em um lugar de castigo. Ele continuar\u00e1 ali at\u00e9 ser levantado dos mortos na ressurrei\u00e7\u00e3o dos perdidos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h3>\n\n\n\n<ol>\n<li>Louis Berkhof,\u00a0<em>Systematic Theology<\/em>\u00a0(Londres: Banner of Truth, 1949), p. 668.<\/li>\n\n\n\n<li>Anthony Hoekema,\u00a0<em>The Four Major Cults<\/em>\u00a0(Grand Rapids: Eerdmans, 1970), p. 357.<\/li>\n\n\n\n<li>Charles Hodge,\u00a0<em>Commentary of the Second Epistle to the Corinthians<\/em>\u00a0(Grand Rapids: Eerdmans, s.d.), p. 110.<\/li>\n\n\n\n<li>Walter Martin,\u00a0<em>The Truth About Seventh-Day Adventism<\/em>\u00a0(Grand Rapids: Zondervan, 1960), p. 122.<\/li>\n\n\n\n<li>Loraine Boettner,\u00a0<em>Immortality<\/em>\u00a0(Filad\u00e9lfia: Presbyterian and Reformed, 1970), p. 101.<\/li>\n\n\n\n<li>Ibid., p. 112.<\/li>\n\n\n\n<li>Hoekema,\u00a0<em>The Four Major Cults<\/em>, p. 358.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><em>Este artigo foi adaptado de&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/loja.chamada.com.br\/livros\/manual-de-escatologia-chamada\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Manual de Escatologia Chamada<\/a><em>, por Paul N. 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