{"id":2318,"date":"2023-12-04T07:15:00","date_gmt":"2023-12-04T07:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/?p=2318"},"modified":"2024-05-07T07:16:49","modified_gmt":"2024-05-07T07:16:49","slug":"normas-da-casa-parte-1-comunicacao-direta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/normas-da-casa-parte-1-comunicacao-direta\/","title":{"rendered":"Normas da Casa: Parte 1 \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o Direta"},"content":{"rendered":"\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o direta em caso de conflitos \u00e9 um princ\u00edpio b\u00edblico. Quais normas a Escritura estabelece para que esse princ\u00edpio se concretize?<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossa fam\u00edlia, na hora da refei\u00e7\u00e3o, costumamos orar de m\u00e3os dadas. N\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica mais espiritual ou piedosa. Na verdade, come\u00e7ou quando observamos que era muito pr\u00e1tico segurarmos as m\u00e3os de nossos filhos menores ao fecharmos os olhos para orar \u00e0 mesa. No entanto, aquilo que come\u00e7ou como uma pr\u00e1tica bastante utilit\u00e1ria, se tornou um gesto de carinho e devo\u00e7\u00e3o para n\u00f3s. Tornou-se uma norma da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma norma nesse sentido n\u00e3o \u00e9 uma lei, ou uma regra imut\u00e1vel, \u00e9 apenas algo que combinamos fazer que representa ou ilustra um princ\u00edpio. Para n\u00f3s, ao darmos as m\u00e3os para orar, estamos representando um desejo e um compromisso por unidade diante de Deus. Fam\u00edlias podem ter o mesmo compromisso sem jamais orar de m\u00e3os dadas. Essa nossa norma n\u00e3o prova uma espiritualidade maior, apenas representa um princ\u00edpio. Em outras palavras, nosso compromisso de unidade n\u00e3o existe porque damos as m\u00e3os para orar, \u00e9 o contr\u00e1rio: damos as m\u00e3os para orar porque temos um compromisso de unidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda fam\u00edlia precisa de normas que representem seus princ\u00edpios. Pode ser esse descrito acima, pode ser o compromisso de fazer juntos alguma refei\u00e7\u00e3o. Anos atr\u00e1s, conheci uma fam\u00edlia onde ap\u00f3s o jantar pais e filhos cantavam juntos algum c\u00e2ntico crist\u00e3o. O importante \u00e9 que encontremos alguma representa\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios que queremos cultivar. O perigo \u00e9 quando confundimos a representa\u00e7\u00e3o com o princ\u00edpio em nossos lares. Quando uma demonstra\u00e7\u00e3o deixa de comunicar um princ\u00edpio, ela se tornou um dogma, e nenhuma norma deveria se tornar um dogma.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitos princ\u00edpios que deveriam ser expressos em normas em nossas fam\u00edlias e igrejas. Hoje gostaria de falar de um deles, que \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o direta. Em Mateus 18.15-20, lemos que Jesus nos ensina sobre esse princ\u00edpio com as seguintes palavras: \u201cSe o seu irm\u00e3o pecar contra voc\u00ea, v\u00e1 e, a s\u00f3s com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, voc\u00ea ganhou o seu irm\u00e3o\u201d. Antes mesmo de examinar esse vers\u00edculo, \u00e9 fundamental reparar que o contexto dessa passagem n\u00e3o \u00e9 puni\u00e7\u00e3o, mas resgate. A par\u00e1bola anterior \u00e9 sobre a ovelha perdida (Mateus 18.10-14), e a posterior \u00e9 sobre o devedor que n\u00e3o perdoa (Mateus 18.21-35). Ambas as par\u00e1bolas apontam diretamente para a realidade do perd\u00e3o. O prop\u00f3sito da comunica\u00e7\u00e3o direta n\u00e3o \u00e9 obter justi\u00e7a, mas \u201cganhar o irm\u00e3o\u201d!<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"citacao2\">\u00c9 importante destacar aqui, dentro do princ\u00edpio da comunica\u00e7\u00e3o direta, a norma da iniciativa. Quem se sentiu ofendido busca o ofensor.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No vers\u00edculo 15, Jesus exorta aqueles que entendem que foram ofendidos ou prejudicados a buscarem aquele que veem como o ofensor: \u201cSe o seu irm\u00e3o pecar contra ti, v\u00e1&#8230;\u201d. \u00c9 importante destacar aqui, dentro do princ\u00edpio da comunica\u00e7\u00e3o direta, a norma da&nbsp;<em>iniciativa<\/em>. Quem se sentiu ofendido busca o ofensor. Na cultura brasileira, temos a tend\u00eancia de preservar a honra e evitar a vergonha, tanto para n\u00f3s como para os outros. Assim, o mais comum em conflitos em igrejas ou fam\u00edlias \u00e9 que o ofendido se afaste, se isole e fique sofrendo em sil\u00eancio, na expectativa de que o ofensor perceba e venha pedir perd\u00e3o. Com o tempo, quando isso n\u00e3o acontece, o ofendido passa a se comportar com hostilidade disfar\u00e7ada ou aberta para com o ofensor. Essa atitude torna o conflito pior, pois agora o ofensor passa a tamb\u00e9m se sentir ofendido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no mesmo vers\u00edculo, Jesus destaca o que poder\u00edamos chamar da norma da&nbsp;<em>privacidade<\/em>: \u201cA s\u00f3s com ele\u201d. Como vimos acima, ao n\u00e3o buscar o ofensor, aquele que se sente ofendido n\u00e3o encontra resolu\u00e7\u00e3o. Quando se d\u00e1 conta de que o ofensor n\u00e3o vai busc\u00e1-lo, o mais comum \u00e9 que sua frustra\u00e7\u00e3o comece a se manifestar com outras pessoas. Muitas vezes acompanhei diverg\u00eancias que poderiam ter sido tratadas com objetividade e rapidez se tornarem conflitos que se arrastam por anos e acabam por incluir v\u00e1rias outras pessoas que n\u00e3o estavam originalmente envolvidas no evento. A norma da privacidade significa que o ofendido deve tratar sua queixa primeiramente a s\u00f3s com a pessoa que o ofendeu. Se, por alguma circunst\u00e2ncia, isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ou adequado, o ofendido deve buscar algum l\u00edder ou pessoa com autoridade espiritual para acompanh\u00e1-lo, mas o ofendido ainda deve falar com o ofensor.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"citacao2\">A norma da privacidade significa que o ofendido deve tratar sua queixa primeiramente a s\u00f3s com a pessoa que o ofendeu.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A terceira norma trata da&nbsp;<em>objetividade<\/em>&nbsp;da queixa. Nas palavras de Jesus: \u201cMostre-lhe o erro\u201d. Tenho visto muitas confronta\u00e7\u00f5es que se tornam becos sem sa\u00edda, pois quem apresenta a queixa apenas manifesta sentimentos feridos. Algo como: \u201cO que voc\u00ea falou me ofendeu, ou me magoou\u201d. Ou ent\u00e3o se torna um ataque ao car\u00e1ter do ofensor: \u201cVoc\u00ea \u00e9 muito orgulhoso, ou rude\u201d. Muito embora seja importante manifestar sua dor, \u00e9 fundamental trazer \u00e0 tona o erro daquele que pecou contra voc\u00ea com objetividade. Se o ofendido n\u00e3o consegue identificar o erro, mas fica apenas em sua dor, pode haver duas raz\u00f5es: (1) o queixoso se ofendeu sem que o outro tenha pecado. Ele ou ela apenas manifestou uma opini\u00e3o ou tomou uma decis\u00e3o que, aos olhos do ofendido, parece ofensiva. Nesse caso, ele ou ela deve refletir sobre o que o ofendeu e avaliar se o problema n\u00e3o est\u00e1 em expectativas irreais. (2) Houve erro, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 claro para o ofendido qual foi o erro. Nesse caso, o ofendido ser\u00e1 incapaz de \u201cmostr[ar] o erro\u201d ao seu irm\u00e3o. Ele ou ela precisa investir um tempo maior e pedir a Deus que revele o erro do irm\u00e3o com clareza para que possa mostrar-lhe esse erro.<\/p>\n\n\n\n<p>Normas s\u00e3o acordos \u201creguladores\u201d das rela\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia, na igreja ou em qualquer outra rela\u00e7\u00e3o mais comprometida. Normas devem refletir princ\u00edpios. O que vimos acima \u00e9 s\u00f3 um exemplo de como um princ\u00edpio pode e deve ser traduzido em normas. Minha ora\u00e7\u00e3o \u00e9 que eu e voc\u00ea comecemos a desenvolver normas que possam manifestar em todas as nossas rela\u00e7\u00f5es o suave aroma de Cristo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comunica\u00e7\u00e3o direta em caso de conflitos \u00e9 um princ\u00edpio b\u00edblico. Quais normas a Escritura estabelece para que esse princ\u00edpio se concretize? Em nossa fam\u00edlia, na hora da refei\u00e7\u00e3o, costumamos orar de m\u00e3os dadas. N\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica mais espiritual ou piedosa. 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Tamb\u00e9m formado em psicologia com mestrado em educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, Daniel foi diretor acad\u00eamico do Semin\u00e1rio B\u00edblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. \u00c9 autor, preletor e tem exercido um minist\u00e9rio na forma\u00e7\u00e3o e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula h\u00e1 mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. 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