{"id":2257,"date":"2023-12-13T06:52:00","date_gmt":"2023-12-13T06:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/?p=2257"},"modified":"2024-05-07T07:15:19","modified_gmt":"2024-05-07T07:15:19","slug":"normas-da-casa-parte-2-falar-com-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/normas-da-casa-parte-2-falar-com-graca\/","title":{"rendered":"Normas da Casa: Parte 2 \u2013 Falar com Gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>No trato uns com os outros, os crist\u00e3os possuem princ\u00edpios a seguir. Isso inclui tamb\u00e9m as nossas palavras e o modo como falamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, presenciei uma conversa entre um casal que, eu creio, estava apaixonado. Ap\u00f3s um bom jogo de mesa, a esposa, brincando, comentou que, em casa, para ter uma conversa inteligente, ela precisava falar consigo mesma. O marido ficou ofendido com a brincadeira e o conflito s\u00f3 foi resolvido na manh\u00e3 seguinte. Experi\u00eancias assim mostram como brincadeiras, ou mesmo o mero tom de voz, podem ser t\u00e3o impactantes que o que deveria ser uma conversa normal deteriora em um conflito. Quantos de n\u00f3s n\u00e3o fomos constrangidos por indiretas, ironia, sarcasmos e mesmo frases com duplo sentido?<\/p>\n\n\n\n<p>Toda casa deve ter suas normas, seus costumes, seu modo de agir que expressa princ\u00edpios e valores. Em nossa casa, oramos de m\u00e3o dadas, em outras, ningu\u00e9m come\u00e7a a comer at\u00e9 que todos estejam servidos, em outras ainda, todos tiram os sapatos na porta. Tradi\u00e7\u00f5es ou normas s\u00e3o importantes como \u201cve\u00edculos\u201d para transmitir valores mais profundos. Em um artigo anterior, falei sobre o princ\u00edpio da comunica\u00e7\u00e3o direta, que deve ser traduzido em um modo de se comportar ou uma norma da casa. Hoje, gostaria de comentar sobre \u201cfalar com gra\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito interessante como seres humanos reagem quando frustrados. Meu neto de um ano e pouco, quando frustrado, cerra os punhos, \u201cfecha a cara\u201d e faz um rugido. Obviamente, esse descontrole \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 compreens\u00edvel, como esperado nessa idade. O problema \u00e9 que ele precisa, com o tempo, aprender como expressar sua frustra\u00e7\u00e3o de um modo gracioso. Isso visa proteger tanto a paz familiar como a ele mesmo em suas intera\u00e7\u00f5es fora de casa no futuro. Uma caracter\u00edstica da maturidade e da vida em sociedade \u00e9 descobrir maneiras adequadas de expressar frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"citacao2\">\u201cNenhuma palavra torpe saia da boca de voc\u00eas, mas apenas a que for \u00fatil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que transmita gra\u00e7a aos que a ouvem\u201d (Ef\u00e9sios 4.29).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Falando sobre vida em comunidade, debaixo de uma \u00f3tica tanto de corpo de Cristo como de fam\u00edlias de Deus, Paulo estabelece um princ\u00edpio que deve se tornar uma norma em nossas casas e igrejas: \u201cNenhuma palavra torpe saia da boca de voc\u00eas, mas apenas a que for \u00fatil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que transmita gra\u00e7a aos que a ouvem\u201d (Ef\u00e9sios 4.29). Vamos examinar essa passagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo come\u00e7a afirmando que palavra torpe (de qualidade pobre, ruim, impr\u00f3pria para o uso) n\u00e3o deve nem sair de nossa boca. A realidade \u00e9 que a boca fala do que est\u00e1 cheio o cora\u00e7\u00e3o (Mateus 12.34). Portanto, devemos nos esfor\u00e7ar para, em primeiro lugar, ter nosso cora\u00e7\u00e3o renovado diante de Deus. Enquanto estamos em processo, \u00e9 nosso dever guardar nossos l\u00e1bios de falar palavras que possam destruir outros. Repare que nem s\u00f3 o conte\u00fado, mas o momento de falar, o tom de voz e o modo como falamos faz toda a diferen\u00e7a. Tendo alertado quanto ao que n\u00e3o fazer, Paulo passa a nos instruir sobre as caracter\u00edsticas que devem marcar nossa fala:<\/p>\n\n\n\n<ol>\n<li>\u00datil para edificar \u2013 O termo usado para edificar tem, em sua raiz, a palavra\u00a0<em>oikos<\/em>, que se refere \u00e0 casa, mas no sentido mais social, ou seja, ao grupo familiar. A primeira marca de um falar gracioso \u00e9 pensar na edifica\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, naquilo que \u00e9 melhor para o amadurecer do grupo. Isso tem tanto um aspecto negativo, ou seja, n\u00e3o falar algo que n\u00e3o edifica, como positivo, pois h\u00e1 temas que t\u00eam de ser falados ou tratados. Em nossa cultura, com frequ\u00eancia evitamos temas constrangedores, deixamos passar queixas e acertos que precisam ser examinados. No entanto, o alvo \u00e9 a edifica\u00e7\u00e3o do lar, ou do grupo, e n\u00e3o a mera defesa de meus interesses (Filipenses 2.3-4).<\/li>\n\n\n\n<li>Conforme a necessidade \u2013 Preciso falar isso? Essa pergunta, se feita e respondida com sinceridade e honestidade, pode evitar uma multid\u00e3o de conflitos. Pessoas como eu, que t\u00eam uma inclina\u00e7\u00e3o para compartilhar suas opini\u00f5es, t\u00eam uma responsabilidade enorme de refletir se o que temos a dizer \u00e9 necess\u00e1rio. Pessoas mais t\u00edmidas e que costumam evitar fazer coment\u00e1rios, t\u00eam a responsabilidade de refletir sobre se podem deixar de falar algo que talvez seja muito importante.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"citacao2\">Falar com gra\u00e7a deve ser a norma entre crist\u00e3os. Deveria ser o modo como expressamos o fato de termos sido acolhidos pela gra\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<ol start=\"3\">\n<li>Transmita gra\u00e7a \u2013 Essa \u00e9 talvez a caracter\u00edstica que \u201cfecha\u201d o vers\u00edculo. Somos o povo da gra\u00e7a, e n\u00e3o da lei ou dos direitos. Verdadeiramente, a gra\u00e7a s\u00f3 faz sentido a partir de um Deus santo e justo. Mas a base de nosso relacionamento com Ele e uns com os outros \u00e9 a gra\u00e7a, \u00e9 o fato de sermos perdoados. Confesso que in\u00fameras vezes falei sem conceder gra\u00e7a, mas julgamento. Em todas essas vezes, o prop\u00f3sito de Deus n\u00e3o avan\u00e7ou, n\u00e3o foi comunicado. Uma vez mais, gra\u00e7a sem um padr\u00e3o de santidade \u00e9 o que Bonhoeffer chama de \u201cgra\u00e7a barata\u201d, que n\u00e3o \u00e9 gra\u00e7a, mas licenciosidade.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Falar com gra\u00e7a deve ser a norma entre crist\u00e3os. Deveria ser o modo como expressamos o fato de termos sido acolhidos pela gra\u00e7a. Minha ora\u00e7\u00e3o \u00e9 que tanto eu como voc\u00ea sejamos conhecidos por um falar que transmita gra\u00e7a, mesmo ao tratarmos de quest\u00f5es delicadas e temas constrangedores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No trato uns com os outros, os crist\u00e3os possuem princ\u00edpios a seguir. Isso inclui tamb\u00e9m as nossas palavras e o modo como falamos. Recentemente, presenciei uma conversa entre um casal que, eu creio, estava apaixonado. 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Tamb\u00e9m formado em psicologia com mestrado em educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, Daniel foi diretor acad\u00eamico do Semin\u00e1rio B\u00edblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. \u00c9 autor, preletor e tem exercido um minist\u00e9rio na forma\u00e7\u00e3o e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula h\u00e1 mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. 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