{"id":1297,"date":"2013-11-27T10:00:00","date_gmt":"2013-11-27T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/?p=1297"},"modified":"2024-07-16T11:42:31","modified_gmt":"2024-07-16T11:42:31","slug":"como-entender-corretamente-os-textos-profeticos-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/como-entender-corretamente-os-textos-profeticos-da-biblia\/","title":{"rendered":"Como Entender Corretamente os Textos Prof\u00e9ticos da B\u00edblia?"},"content":{"rendered":"\n<p>Vale a pena batalhar pelo literalismo b\u00edblico, inclusive quando a quest\u00e3o \u00e9 Israel. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 nada mais, nada menos que a fidelidade das promessas de Deus.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Israel como exemplo de caso<\/h2>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia do Estado de Israel tem algum significado teol\u00f3gico relevante para n\u00f3s? Ou \u00e9 apenas um fato pol\u00edtico \u201cnormal\u201d sem rela\u00e7\u00e3o direta com a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o divina e com nosso entendimento b\u00edblico? Essas duas posi\u00e7\u00f5es diferentes s\u00e3o defendidas por crist\u00e3os que se consideram fi\u00e9is \u00e0 B\u00edblia. Na hist\u00f3ria da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica o caso de Israel sempre foi emblem\u00e1tico e desempenhou um papel-chave para entender o que a B\u00edblia diz e demonstra como lidar com outros textos prof\u00e9ticos: Jesus estabelecer\u00e1 um reino de mil anos de paz (o mil\u00eanio)? As profecias ainda n\u00e3o cumpridas do Antigo Testamento se cumprir\u00e3o literalmente? A Igreja de Jesus substituiu o antigo povo de Israel?<\/p>\n\n\n\n<p>Usar Israel como&nbsp;<em>exemplo de caso<\/em>&nbsp;adequa-se para estudar e entender qualquer outro texto prof\u00e9tico da B\u00edblia. Dentro da brevidade aqui exigida tentaremos analisar as quest\u00f5es hermen\u00eauticas (relativas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o) que devem ser esclarecidas se quisermos compreender corretamente o que a B\u00edblia tem a declarar acerca do futuro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. Os dois polos na quest\u00e3o de Israel: substitu\u00eddo pela Igreja ou promessas concretas para o futuro do antigo povo de Deus?<\/h2>\n\n\n\n<p>Vamos limitar-nos \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre essas duas correntes antag\u00f4nicas sem entrar no fato de que nos dois \u201ccampos\u201d existem ainda mais diferencia\u00e7\u00f5es e variantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>a) Teologia da substitui\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;as promessas feitas a Israel e ainda n\u00e3o cumpridas foram transferidas \u00e0 Igreja de Jesus. Promessas terrenas (como o retorno \u00e0 terra de Israel) n\u00e3o se cumprir\u00e3o literalmente; elas foram transferidas simb\u00f3lica e espiritualmente \u00e0 Igreja do Novo Testamento. Essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida como a&nbsp;<em>Teologia da Substitui\u00e7\u00e3o,<\/em>&nbsp;j\u00e1 que substitui o povo de Israel (como etnia) pelo Israel \u201cespiritual\u201d, a Igreja. Dentro dessa concep\u00e7\u00e3o o retorno do povo de Israel \u00e0 sua terra n\u00e3o teria qualquer significado prof\u00e9tico no plano divino de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A tese de que a Igreja substituiu Israel \u00e9 um elemento b\u00e1sico no&nbsp;<em>Amilenismo,<\/em>&nbsp;que ensina que n\u00e3o haver\u00e1 um reino de mil anos literal (mil\u00eanio). Segundo essa corrente, aquilo que Apocalipse 20 descreve j\u00e1 come\u00e7ou por ocasi\u00e3o da primeira vinda de Jesus e perdurar\u00e1 at\u00e9 Sua volta. Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da teologia reformada (e em parte da luterana).<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso desaparecem quase todas as diferen\u00e7as entre o Antigo e o Novo Testamento, a Alian\u00e7a Abra\u00e2mica vale tanto para Israel como para a Igreja (\u201cTeologia Aliancista\u201d). Segundo Calvino, o Israel do Antigo Testamento j\u00e1 era a Igreja \u201ccomo que na inf\u00e2ncia\u201d (Institutas II, 11.2). O \u201cIsrael verdadeiro\u201d \u00e9 absorvido pela \u201cIgreja de Jesus\u201d, existe apenas uma \u201ccomunh\u00e3o dos crentes, e essa comunh\u00e3o existia desde o in\u00edcio da antiga ordem at\u00e9 o tempo atual e existir\u00e1 na terra at\u00e9 o fim do mundo\u201d.[1]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>b) Cumprimento literal:<\/strong>&nbsp;as promessas ainda em aberto para Israel como povo se cumprir\u00e3o literalmente no futuro. Delas fazem parte a convers\u00e3o do remanescente (\u201ctodo o Israel\u201d, Rm 11.26) ao Messias em conex\u00e3o com a volta de Jesus e ent\u00e3o sua exist\u00eancia sem opress\u00e3o em sua pr\u00f3pria terra (\u201crestaura\u00e7\u00e3o de Israel\u201d). Dentro dessa perspectiva, o retorno do povo secular \u00e0 terra de Israel depois da Segunda Guerra Mundial faz parte do cumprimento do plano divino. E esse retorno cria as condi\u00e7\u00f5es para os futuros eventos de Zacarias 12 a 14.<img decoding=\"async\" width=\"15\" height=\"15\" src=\"blob:https:\/\/sarves.com.br\/d5247b5b-bdd8-4313-96af-814d4e4c4f25\"><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da perspectiva literal, o retorno do povo secular \u00e0 terra de Israel depois da Segunda Guerra Mundial faz parte do cumprimento do plano divino.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dessa perspectiva esperamos um cumprimento literal das promessas de um reino milenar, para cujo estabelecimento o Senhor voltar\u00e1. Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Pr\u00e9-Milenismo<\/em>&nbsp;(Jesus vir\u00e1 antes do estabelecimento do mil\u00eanio real). Na Europa essa posi\u00e7\u00e3o ficou mais conhecida como&nbsp;<em>Dispensacionalismo<\/em>.[2] Mas nesse debate n\u00e3o dever\u00edamos nos ater a \u201cr\u00f3tulos\u201d, j\u00e1 que n\u00e3o existe um Dispensacionalismo fechado, mas diversas variantes agrupadas em volta de uma id\u00e9ia central.[3] Repetidamente os detratores do cumprimento literal esbo\u00e7am a caricatura de um Dispensacionalismo extremado. A\u00ed surge a impress\u00e3o de que todos os que esperam pela restaura\u00e7\u00e3o de Israel e por um mil\u00eanio literal tamb\u00e9m ap\u00f3iam doutrinas dispensacionalistas particulares (por exemplo, que o Serm\u00e3o do Monte se aplica somente ao mil\u00eanio&#8230;). Esse definitivamente n\u00e3o \u00e9 o caso!<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso chegamos a um resultado intermedi\u00e1rio: as posi\u00e7\u00f5es&nbsp;<strong>\u201ca\u201d<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>\u201cb\u201d<\/strong>&nbsp;se excluem mutuamente e exigem um posicionamento. Que pontos de orienta\u00e7\u00e3o nos seriam \u00fateis nessa tomada de posi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. A posi\u00e7\u00e3o reformada acerca das Escrituras: retorno ao sentido literal da B\u00edblia<\/h2>\n\n\n\n<p>Um prop\u00f3sito central dos reformadores era o retorno a um entendimento claro da voz das Escrituras&nbsp;<em>(claritas scripturae).<\/em>&nbsp;Isso exigiu da parte deles uma postura firme contra a arbitrariedade na exegese das Escrituras que se instaurara ainda nos primeiros s\u00e9culos da Hist\u00f3ria da Igreja. Na \u00e9poca, ao inv\u00e9s de aceitar o sentido literal dos textos como determinante, buscava-se um sentido \u201cm\u00faltiplo\u201d no que as Escrituras declaram. Com isso abriram-se as portas para todo tipo de alegoria (simbolismo), espiritualiza\u00e7\u00e3o e reinterpreta\u00e7\u00e3o do texto sagrado. Isso conduziu a uma deturpa\u00e7\u00e3o das verdades que Deus havia revelado aos escritores da B\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos protagonistas dessa \u201cespiritualiza\u00e7\u00e3o\u201d foi Or\u00edgenes, um dos pais da Igreja (185-254), posteriormente criticado duramente, e com justi\u00e7a, por Martim Lutero. \u00c0 alegoria e \u00e0 arbitrariedade na exegese de textos b\u00edblicos os reformadores contrapunham sua reivindica\u00e7\u00e3o central: v\u00e1lido seria o sentido simples e evidente das Escrituras, o sentido \u201cliteral\u201d. Segundo essa id\u00e9ia, um texto b\u00edblico deve ser interpretado da forma mais pr\u00f3xima poss\u00edvel de seu sentido original, o mais perto poss\u00edvel daquilo que seus autores originais queriam dizer, sempre levando-se em considera\u00e7\u00e3o a gram\u00e1tica, o uso idiom\u00e1tico e o contexto da passagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. Como os reformadores entendiam Israel<\/h2>\n\n\n\n<p>Tendo em vista essa regra de aceita\u00e7\u00e3o do sentido literal de uma passagem b\u00edblica, \u00e9 surpreendente que os principais reformadores n\u00e3o a aplicaram quando se tratava da quest\u00e3o de Israel. Enquanto Lutero, em sua antiga interpreta\u00e7\u00e3o de Romanos (de 1515 a 1516) ainda dizia que no fim dos tempos uma grande parte do povo judeu como \u201cremanescente\u201d \u00e9tnico (como coletividade nacional) iria converter-se a Jesus, mais tarde afastou-se dessa interpreta\u00e7\u00e3o. Calvino tamb\u00e9m explicou Romanos 11.25ss. \u2013 contrariando o sentido literal e o contexto \u2013 como a comunidade de judeus e gentios que viriam a crer em Cristo no decorrer de toda a hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica. Isso correspondia \u00e0 sua id\u00e9ia de uma s\u00f3 Igreja \u201cdesde o princ\u00edpio at\u00e9 o fim do mundo\u201d (veja o Catecismo de Heidelberg, pergunta 54).<\/p>\n\n\n\n<p>Como foi poss\u00edvel essa \u201cdesapropria\u00e7\u00e3o\u201d de Israel, com suas promessas especiais transferidas para a Igreja? Certamente as quest\u00f5es escatol\u00f3gicas n\u00e3o foram as que mais ocuparam a aten\u00e7\u00e3o dos reformadores. As batalhas teol\u00f3gicas mais decisivas aconteciam em outras \u00e1reas, especialmente na quest\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o e acerca da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da Escatologia os reformadores ficaram presos \u00e0 posi\u00e7\u00e3o encontrada em Agostinho, um dos pais da Igreja (354\u2013430). Mas j\u00e1 antes dele, ainda no segundo s\u00e9culo, a igreja primitiva tinha come\u00e7ado a ver a si mesma como \u00fanica herdeira das promessas feitas a Israel (carta de Barnab\u00e9, Justino M\u00e1rtir). Or\u00edgenes, com seu m\u00e9todo aleg\u00f3rico, forneceu as ferramentas que possibilitaram transferir para a Igreja as passagens que eram destinadas a Israel. Mais tarde, a Igreja Cat\u00f3lica Romana defendeu seu poderio e sua suposta elei\u00e7\u00e3o com todos os meios poss\u00edveis e imagin\u00e1veis. Ela j\u00e1 n\u00e3o tinha o m\u00ednimo interesse em devolver as promessas feitas a Israel a seus verdadeiros e originais destinat\u00e1rios. Em seu reino milenar presente (amilenismo!), Cristo j\u00e1 estaria h\u00e1 muito reinando atrav\u00e9s do papado.<img decoding=\"async\" width=\"15\" height=\"15\" src=\"blob:https:\/\/sarves.com.br\/fe1df814-16bb-4655-bedf-6cf7a01d15e0\"><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Lutero, em sua antiga interpreta\u00e7\u00e3o de Romanos (de 1515 a 1516) ainda dizia que no fim dos tempos uma grande parte do povo judeu como \u201cremanescente\u201d \u00e9tnico (como coletividade nacional) iria converter-se a Jesus, mais tarde afastou-se dessa interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo menos na quest\u00e3o do mil\u00eanio, nos tr\u00eas primeiros s\u00e9culos a Igreja antiga ainda tentava preservar a subst\u00e2ncia b\u00edblica, mantendo a doutrina de um Reino futuro. No mais tardar com Agostinho come\u00e7ou, tamb\u00e9m nessa quest\u00e3o, um afastamento do sentido literal da Escritura, e esse afastamento tornou-se predominante em toda a Igreja. E os reformadores, mais de mil anos depois de Agostinho, pelo visto n\u00e3o dispunham do tempo nem da necess\u00e1ria clareza para impor a validade de seus princ\u00edpios escritur\u00edsticos \u00e0 quest\u00e3o de Israel. Hoje, quem quiser se reportar conseq\u00fcentemente \u00e0 Reforma nesse sentido, precisa ir decididamente al\u00e9m dos reformadores e aplicar a literalidade do texto sagrado a todas as quest\u00f5es, inclusive \u00e0 quest\u00e3o de Israel. Caso contr\u00e1rio, ficar\u00e1 preso a um confessionalismo tradicionalista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. O sentido literal de textos prof\u00e9ticos<\/h2>\n\n\n\n<p>O leitor da B\u00edblia encontra-se diante de uma alternativa bem clara: estou disposto a deixar que o texto fale por si mesmo ou leio o texto b\u00edblico atrav\u00e9s do filtro de um certo sistema teol\u00f3gico? \u00c9 \u00f3bvio que nenhum leitor da B\u00edblia se aproximar\u00e1 do testemunho das Escrituras completamente isento do conhecimento que j\u00e1 tem e das convic\u00e7\u00f5es j\u00e1 formadas em seu cora\u00e7\u00e3o . Cada um de n\u00f3s tem a tend\u00eancia de considerar sua pr\u00f3pria explica\u00e7\u00e3o como a op\u00e7\u00e3o correta (at\u00e9 ent\u00e3o), que tamb\u00e9m deveria fazer sentido para todos os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse elemento humano, a Palavra de Deus comprovou sua for\u00e7a fazendo-se entender e se impondo como verdade, mesmo diante dos maiores disparates.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos um exemplo para comprovar essa afirma\u00e7\u00e3o: o Antigo Testamento constantemente associa a renova\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o do povo judeu com sua volta \u00e0 terra. Sobre isso basta ler Ezequiel 36.24-28; Ezequiel 37.12-26; Am\u00f3s 9.11-15 (comp. Jr 16.15; 23.8; 24.6; 31.8,23-34). Quem estudar esses textos encontrar\u00e1 declara\u00e7\u00f5es bem claras do Deus vivo acerca de Israel, Seu povo escolhido. A base para ligar a salva\u00e7\u00e3o com a terra \u00e9 a Alian\u00e7a Abra\u00e2mica (Gn 13.15; Gn 17.6-8, etc). Essa alian\u00e7a \u00e9 incondicional, ou seja, n\u00e3o imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es para ser v\u00e1lida nem depende da obedi\u00eancia de Israel. Como Deus iria invalid\u00e1-la?<\/p>\n\n\n\n<p>No Novo Testamento essa promessa feita a Israel volta a ser reafirmada e n\u00e3o h\u00e1 uma palavra sequer dizendo que ela foi revogada ou invalidada, nem mesmo quando trata da unidade entre judeus e gentios formando juntos a Igreja (Ef 2.11ss.; Rm 11.17-24). E quando, por exemplo, Tiago cita em Atos 15.15-20 a promessa de Am\u00f3s 9.11-12 feita para Israel nos tempos finais, ele n\u00e3o afirma, de forma alguma, que essa promessa j\u00e1 se cumpriu na Igreja ou com a Igreja. O que Tiago mostra ao citar essa passagem \u00e9 que os planos futuros que Deus tem para Israel de forma alguma representam algum preju\u00edzo para os gentios: se Deus,<em>&nbsp;no futuro,<\/em>&nbsp;plantar definitivamente Seu povo na terra de Israel, isso tamb\u00e9m ser\u00e1 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para os gentios. Isso combina e se harmoniza perfeitamente (At 15.15), de forma que n\u00e3o podemos nem devemos excluir da Igreja os gentios convertidos nem consider\u00e1-los \u201ccrist\u00e3os de segunda categoria\u201d. Os dois casos (cumprimento futuro da promessa de Am\u00f3s e o atual ajuntamento da Igreja) s\u00e3o regidos pelo mesmo princ\u00edpio: a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para judeus e a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para os gentios n\u00e3o s\u00e3o excludentes; elas incluem a ambos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Novo Testamento n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico texto questionando a validade das promessas do Antigo Testamento feitas a Israel. Tudo o que o Novo Testamento diz sobre Israel e seu futuro converge para sua convers\u00e3o a Jesus como seu Messias e a um cumprimento abrangente e pleno de todas as profecias. Numerosas afirma\u00e7\u00f5es (por exemplo, Mt 19.28; Mt 23.37-39; Lc 21.24; Lc 22.30; At 1.6; Rm 11.25-27) refor\u00e7am a esperan\u00e7a de Israel porque foram feitas pelo pr\u00f3prio Senhor Jesus (e depois confirmadas por Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p>Jacob Thiessen fez uma an\u00e1lise mostrando como s\u00e3o s\u00f3lidas as fontes neotestament\u00e1rias garantindo uma restaura\u00e7\u00e3o final de Israel (<em>Israel und die Gemeinde&nbsp;<\/em>[Israel e a Igreja], 2008). E Michel J. Vlach provou em sua disserta\u00e7\u00e3o que, onde o Novo Testamento complementa promessas do Antigo Testamento e as aplica a situa\u00e7\u00f5es atuais (por exexemplo Am\u00f3s 9.11ss. em Atos 15.15ss.), isso nunca acontece de forma a anular seu sentido original ou literal nem as retira de Israel.[4]<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, sempre vale a pena batalhar pelo literalismo b\u00edblico, inclusive quando a quest\u00e3o \u00e9 Israel. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 nada mais, nada menos que a fidelidade das promessas de Deus, que n\u00e3o deixar\u00e1 ao l\u00e9u a menina dos Seus olhos (Zc 2.12; Dt 32.10). Igualmente em jogo est\u00e1 a nossa pr\u00f3pria fidelidade para com o sentido verdadeiro do texto sagrado. Quem se desvia dele para satisfazer algum sistema teol\u00f3gico corre o risco de repetir o mesmo erro em outras \u00e1reas. Que Deus nos proteja disso!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h3>\n\n\n\n<ol>\n<li>L. Berkhof, <em>Systematic Theology<\/em>, 1969, p. 571.<\/li>\n\n\n\n<li>Todo dispensacionalista tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00e9-milenista. Mas a afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida ao inverso: existem pr\u00e9-milenistas que n\u00e3o compartilham de certas posi\u00e7\u00f5es dispensacionalistas. Por isso existe a diferencia\u00e7\u00e3o entre pr\u00e9-milenistas \u201cdispensacionalistas\u201d e \u201chist\u00f3ricos\u201d.<\/li>\n\n\n\n<li>A&nbsp;<em>B\u00edblia de Estudo Scofield&nbsp;<\/em>documenta o dispensacionalismo cl\u00e1ssico da gera\u00e7\u00e3o mais antiga enquanto um autor importante como John Walvoord defende um dispensacionalismo revisado, e outra diferencia\u00e7\u00e3o acontece no dispensacionalismo progressivo (a partir de 1986), defendido por C. A. Blaising e outros.<\/li>\n\n\n\n<li>Michael J. Vlach,&nbsp;<em>The Church as a Replacement of Israel? An Analysis of Supersessionism,<\/em>&nbsp;Frankfurt, 2009.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vale a pena batalhar pelo literalismo b\u00edblico, inclusive quando a quest\u00e3o \u00e9 Israel. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 nada mais, nada menos que a fidelidade das promessas de Deus. Israel como exemplo de caso A exist\u00eancia do Estado de Israel tem algum significado teol\u00f3gico relevante para n\u00f3s? Ou \u00e9 apenas um fato pol\u00edtico &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/como-entender-corretamente-os-textos-profeticos-da-biblia\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Como Entender Corretamente os Textos Prof\u00e9ticos da B\u00edblia?<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1298,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"texto-biblico":[],"ppma_author":[27],"acf":[],"authors":[{"term_id":27,"user_id":0,"is_guest":1,"slug":"wolfgang-nestvogel","display_name":"Wolfgang Nestvogel","avatar_url":{"url":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/wolfgang-nestvogel.jpeg","url2x":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/wolfgang-nestvogel.jpeg"},"user_url":"","last_name":"","first_name":"","description":"Wolfgang Nestvogel \u00e9 doutor em teologia. Entre 2001 e 2010, foi professor de teologia pr\u00e1tica na Akademie f\u00fcr Reformatorische Theologie em Marburgo e Hannover, Alemanha. Casado com Patricia, possui dois filhos."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1297"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1297"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1297\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1301,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1297\/revisions\/1301"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1297"},{"taxonomy":"texto-biblico","embeddable":true,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/texto-biblico?post=1297"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/sarves.com.br\/chamada\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}